domingo, 12 de fevereiro de 2017

Ensaio da peça "E o mar já não existe" com Jacyara de Carvalho.

“Dentro da própria roupa as mãos fazem um intervalo entre o tocar na amante e o segurar na lamina que mata. As mãos são órgãos susceptíveis tácteis, mas também sentimentos mais complexos: como a grande tristeza. Supor que há elementos do corpo que não sofrem nem se exaltam, que apenas assistem, parece um equívoco evidente de uma certa anatomia analítica que vê cada bocado de corpo como louco individual, com o seu mundo próprio. Não há nenhum órgão que possas extrair do corpo, mantendo este vivo, de modo a que do organismo expulses apenas as emoções. Só extrairás as emoções quando eliminares por completo o organismo. A última célula que sobrevive ainda sente e provavelmente pensa.”

Trecho de “Um Homem: Klaus Klump”, de Gonçalo M. Tavares.
Fotos de Daniel Debortoli.









Nenhum comentário:

Postar um comentário